sexta-feira, 4 de maio de 2012

CNBB decide pela revitalização do Vaticano II


A CNBB decidiu revitalizar as reformas que, sob a liderança dos papas João XXIII e Paulo VI, revolucionaram a vida da Igreja Católica no século XX. É o que foi resolvido na mais recente assembleia-geral da CNBB, em Aparecida (SP), aproveitando as comemorações de 50 anos do início do Concílio Ecumênico Vaticano II.
Em vez de apoiar a proposta de convocação de um novo concílio, o Vaticano III, objeto de petição com mais de 10 mil assinaturas, enviada a João Paulo II em 2002, os bispos preferem refletir sobre os documentos do Vaticano II, para corrigir eventuais exageros e adaptar a legislação da Igreja às circunstâncias e exigências do mundo de hoje. “Não é o caso de reunir um novo concílio, mas sim de retomar e viver em profundidade o Vaticano II, aquilo que propôs Bento XVI, que foi teólogo perito do concílio”, disse o cardeal-arcebispo de São Paulo, dom Odilo Scherer, coordenador do grupo de trabalho para as comemorações do jubileu de ouro.
Reviver o concílio, observou o cardeal, significa “progredir na determinação e na aplicação de suas decisões”. (das agências)
Fonte: O Povo

sexta-feira, 30 de março de 2012

FIDEL E O PAPA

Informações da Diocese (01/04/12)
D. Demétrio Valentini

Bento 16 acaba de visitar o México e Cuba. Ele já tinha visitado o Brasil em 2007. E já tem outra viagem marcada para o nosso país, no ano que vem.
Não era conveniente visitar pela segunda vez o Brasil, sem antes ir ao menos para algum outro país da América Latina. Assim, foi ao México, e aproveitou para visitar também Cuba.
O momento mais pitoresco da visita a Cuba foi, certamente, o encontro do Bento 16 com Fidel Castro. Pelos relatos, a conversa foi uma troca de amabilidades, como convinha para o momento.
Na verdade, os recados já tinham sido dados, de maneira sutil, na homilia da missa que precedeu o encontro de ambos.
O Papa aproveitou as leituras do dia, para ir direto ao assunto.
Da história dos três jovens na fornalha, no exílio da Babilônia, sob o comando do soberano Nabucodonosor, Bento 16 tirou a lição da prioridade que a fé possui, para formar as consciências e ditar o procedimento das pessoas: "os três jovens preferiam morrer queimados pelo fogo que trair a sua consciência e a sua fé".
Em poucas palavras, está posto o direito de todos se guiarem sua consciência pelos ditames de sua fé.
Em seguida, Bento 16 aborda o assunto que lhe é muito caro, ao qual volta com insistência: a estreita ligação entre a verdade e a liberdade, entre a fé e a razão:
"Com efeito, a verdade é um anseio do ser humano, e procurá-la supõe sempre um exercício de liberdade autêntica." O Papa não perde tempo. Aborda em seguida a questão das ideologias, que cegam a inteligência humana, impedindo-a de encarar a verdade de maneira livre e ao mesmo tempo comprometida.
Primeiro estigmatiza o ceticismo e o relativismo, afirmando:
"Muitos, todavia, preferem os atalhos e procuram evitar essa tarefa. Alguns, como Pôncio Pilatos, ironizam sobre a possibilidade de conhecer a verdade, proclamando a incapacidade do homem de alcançá-la ou negando que exista uma verdade para todos... como no caso do ceticismo e do relativismo" Em seguida, o Papa questiona o fechamento ideológico, constando que ... Aí o Papa voltA ao assuNto que lhe é muito caro: O relacionamento entre fé e razão:
"Fé e razão são necessárias e complementares na busca da verdade. Deus criou o homem com uma vocação inata para a verdade e, por isso, dotou-o de razão. Certamente não é a irracionalidade que promove a fé cristã, mas a ânsia da verdade. Todo o ser humano deve perscrutar a verdade e optar por ela quando a encontra, mesmo correndo o risco de enfrentar sacrifícios."
"Há outros que interpretam mal esta busca da verdade, levando-os à irracionalidade e ao fanatismo, pelo que se fecham na SUA verdade» e tentam impô-la aos outros. Em decorrência destes pressupostos, Bento 16 aborda a questão da ética, que se constitui em plataforma comum em torno de valores fundamentais, em cuja defesa todos podemos nos encontrar.
"A verdade sobre o homem é um pressuposto imprescindível para alcançar a liberdade, porque nela descobrimos os fundamentos duma ética com que todos se podem confrontar... É este patrimônio ético que pode aproximar todas as culturas, povos e religiões, as autoridades e os cidadãos, os cidadãos entre si, os crentes em Cristo com aqueles que não crêem n’Ele"
E quem quiser se aventurar pelo caminho da fé, sempre acompanhado pela razão, poderá encontrar Jesus Cristo, "que é a verdade em pessoa e nos impele a partilhar este tesouro com os outros"
No contexto dos valores éticos, Bento 16 fundamenta o direito que o cristianismo tem, não de impor, mas de propor o chamado de Cristo "para conhecer a verdade que nos torna livres". Poucas vezes um sermão foi tão bem endereçado. Não só para Fidel. Mas para todos que desejam praticar a liberdade de pensamento, e ao mesmo tempo, assumir o compromisso com a verdade. Assim poderemos superar o fanatismo que cega, e o descompromisso que aliena.

quinta-feira, 1 de março de 2012

FRATERNIDADE E CIDADANIA


D. Demétrio Valentini

              Já foi lançada pela CNBB a Campanha da Fraternidade deste ano de 2012. Como todo mundo já sabe, seu tema é a Saúde Pública, e seu lema retoma o sonho do livro do Eclesiástico, “que a saúde se difunda sobre a terra”.
              Lançada em Brasília, a Campanha já se faz presente nas milhares de comunidades, espalhadas pelo Brasil. Aí está um dos fatores que garantem a rápida ressonância da Campanha. Ela valoriza as comunidades. Ela conta com a capilaridade da Igreja. Aciona as lideranças, em cujas mãos coloca os subsídios que municiam a reflexão em torno do tema proposto. E aproveita o tempo da quaresma para motivar a participação e estimular compromissos concretos, que traduzam as sugestões que o tema vai apresentando.
           Desta maneira, podemos afirmar que a Campanha da Fraternidade é a maior experiência que se realiza no Brasil, de reflexão conjunta, de debate aberto, em torno de um determinado assunto de interesse social.
          A partir desta constatação, se percebe o alcance político da Campanha da Fraternidade. Ela proporciona um clima favorável para aquilo que o povo brasileiro é arredio, e não gosta de fazer: refletir e debater os problemas que envolvem a vida do povo.
             De fato, temos uma tradição de pouca participação nos debates políticos. Os próprios partidos não conseguem sustentar esse debate, eles que teriam a incumbência constitucional de apresentar propostas para o adequado enfrentamento dos problemas existentes. Assim, eles não se caracterizam por suas propostas política. . Mas se limitam à estratégia eleitoral de alcançar o poder, sem dizer para que o buscam.
          Temos no Brasil uma grande carência de debate político. A Campanha da Fraternidade, com seus limites de iniciativa suscitada por motivações religiosas, é a ainda a instância que mais sustenta e articula uma reflexão séria, em cima de dados reais, sobre problemas concretos da sociedade.
           O tema deste ano serve de exemplo. Traz uma reflexão muito bem fundamentada, em cima de dados muito interessantes, relativos às questões ligadas ao campo da saúde pública.   É tão vasto este campo, que ele precisa ser abordado com conhecimento de causa, com disposição de enfrentá-lo com responsabilidade, e com a certeza de contar com o respaldo do estado e da sociedade.
          Os médicos costumam discernir os casos de “alta complexidade”. A Campanha deste ano nos apresenta também um tema de “alta complexidade” que requer as atenções de todos.
         Nos tempos da Constituinte, em que se buscava critérios norteadores para definir a lei básica da Nação, se formulou a sentença, que parecia dar conta do problema de maneira exaustiva. Afirmava-se que “a saúde é direito de todos e dever do Estado”. 
        A sentença ainda pode continuar vigente. Mas sua compreensão foi adquirindo nuances muito concretos, com incidências muito práticas. O fato de ser “dever do Estado” não exime a sociedade de suas responsabilidades com a saúde pública. A começar pelo dever de acompanhar de perto as políticas públicas relativas à saúde, participar dos conselhos paritários, onde é possível levar as demandas da população e urgir a ação do Estado. E sobretudo, fiscalizar a aplicação dos recursos públicos, para que sejam distribuídos de maneira equitativa e adequada às condições existentes.
         Em todo o caso, a campanha deste ano mostra a importância de refletir sobre a saúde pública com informações concretas, à luz dos grandes valores envolvidos nesta questão de interesse tão direto da população. Quanto mais informações, maiores serão os consensos, maior o envolvimento da sociedade, maior o compromisso do Estado sobretudo garantindo os recursos financeiros, que viabilizem as ações indispensáveis para uma  verdadeira política de saúde pública.

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

Campanha da Fraternidade 2012


Giovanni Colares

Sob o lema: “Que a saúde se difunda sobre a terra” (Eclo 38, 8), a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil – CNBB inicia, nesta quaresma, mais uma Campanha da Fraternidade, agora orientando-nos a pensar sobre a “Fraternidade e Saúde Pública”, este desafiante tema que busca (orientada por seu Objetivo Geral) “refletir sobre a realidade da saúde no Brasil em vista de uma vida saudável, suscitando o espírito fraterno e comunitário nas pessoas em atenção aos enfermos e mobilizar por melhorias no sistema público de saúde”.


A atenção à saúde é preocupação de muitas instituições, não somente as governamentais sob o eixo da atuação local, mas até mesmo a de organismos internacionais que pensam o mundo no aspecto global, a própria Organização das Nações Unidas - ONU para o período de 1990 até 2015 propôs oito metas as serem trabalhadas, sendo que três estão ligadas diretamente ao aspecto da Saúde e quase todas refletem indiretamente em consequências saudáveis para os indivíduos (São elas: Reduzir pela metade o número de pessoas que vivem na miséria e passam fome; Educação básica de qualidade para todos; Igualdade entre os sexos e mais autonomia para as mulheres; Redução da mortalidade infantil; Melhoria da saúde materna; Combate a epidemias e doenças; Garantia da sustentabilidade ambiental;
Estabelecer parcerias mundiais para o desenvolvimento).

Como vem ocorrendo desde o início da década de 1960, a Igreja Católica no Brasil – através da CNBB – empenha-se em estudar, meditar e divulgar sobre temas específicos com o fim de buscar criar na sociedade uma resposta satisfatória para determinados desafios. Neste ano a proposta é orientada aos aspectos individuais e públicos da Saúde e principalmente pela necessidade de uma maior atuação dos órgãos competentes no que concerne ao cuidado com o povo no aspecto da atuação dos setores governamentais responsáveis pela Saúde Pública, principalmente pelo Sistema Único de Saúde – SUS, ainda buscando incentivar ações a serem empreendidas pelas pastorais das paróquias espalhadas em todo o país.

Com propostas bem delineadas a CNBB potencializa a ação dos Leigos e faz-se presente como um grande agente pastoral no que diz respeito ao aspecto da divulgação, pois utiliza-se de diversos meios nos veículos midiáticos para se fazer presente, neste momento importante da Quaresma, como forma de incentivar o debate e a ação para muito além de seu aspecto de liderança religiosa pertinente à própria natureza de sua existência.

As reflexões constantes de seu texto-base envolve a referida campanha no aspecto prático, mas também contemplativo: visando analisar todo o simbolismo da saúde (e da doença) desde a antiguidade, principalmente no “horizonte humano e teológico do sofrimento”.

É-nos proposto uma “Ação Transformadora no Mundo da Saúde” aliando-se ações para “a Igreja cooperar no avanço do Sistema Público de Saúde”.

Torna-se óbvio que tal empreitada, de conotação hercúlea, não se contém em um setor específico da sociedade, nem tampouco esgotar-se-ia em tão curto período de quarenta dias, é preciso que ações de educação, cultura, e política apoiem tal enlevo, de modo a que no confronto das idéias (função política do debate), no desenvolvimento do compartilhar e difundir conceitos (especialidade da educação e cultura) e no processo religioso (de fazer parte e ser coadjuvante da manutenção e desenvolvimento da Criação), possa-se construir o ambiente e esmerar-se em empreender ações propícios às mudanças e evoluções de paradigmas, principalmente orientados a uma visão crítica e intervencionista em prol da busca da excelência na prática do cotidiano.

Assim, na participação efetiva de todos os que são convidados a participar e em ritmo de Campanha, como sugere o nome, o espírito de fraternidade pode e deve ser transformadora para que dela se produzam bons frutos.

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

Saúde do corpo e da alma

Professor Teodoro
Deputado estadual


Uma frase do jornalista Nonato Albuquerque resumiu a mensagem da CNBB com estas palavras: “A Igreja, que sempre cuidou da saúde da alma, faz a integração com a do corpo na Campanha da Fraternidade”. Pois foi este também o aspecto abordado pelo papa Bento XVI em sua mensagem ao cardeal Raymundo Damasceno Assis, arcebispo de Aparecida e presidente da CNBB. Disse sua santidade: “Para os cristãos, de modo particular, o lema bíblico é uma lembrança de que a saúde vai muito além de um simples bem estar corporal”.

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil escolheu a saúde pública como tema de sua Campanha da Fraternidade, iniciada nesta quarta-feira, como acontece todo ano na abertura da quaresma, que é a preparação para a páscoa. O tempo é de conversão e reflexão. Extraído do capítulo 38 do Eclesiástico, no versículo 8, - Que a saúde se difunda sobre a terra -, o lema se propõe a suscitar nas pessoas o espírito fraterno e comunitário das pessoas na atenção aos enfermos e mobilizar pela melhoria no sistema público de saúde.

O tema é tão presente, que é o primeiro problema apontado pelos brasileiros. E o mais recorrente, tanto que não é a primeira vez que inspira a Campanha da Fraternidade, o último foi Saúde para todos. O tema é trazido com duas vertentes, uma política e de mobilização, cobra ações do governo. A outra, de cunho mais espiritual, cobra uma atitude em relação ao seu irmão enfermo.

O Brasil tem um dos melhores sistemas de atendimento público de saúde. O Sistema Único de Saúde, em termos de índices de universalização e atendimento por número de pessoas, é o segundo do mundo, só ficando atrás do sistema americano. As técnicas, os transplantes, a produtividade médica falam bem de nosso atendimento. No entanto, se dispomos da melhor técnica médica e de equipamentos de ponta, temos também um grave problema de financiamento.

Apesar da infraestrutura física ser razoável, falta gente nos hospitais, a demanda é cada vez mais crescente, e o país não tem conseguido acompanhar a contento, principalmente diante das tragédias urbanas, em que os acidentes de trânsito, principalmente de motos, têm apresentado desafios equivalentes ou superiores ao de uma epidemia.

Nos feriados prolongados, a pauta inescapável da imprensa é o número de acidentados que coloca em destaque a lotação dos hospitais, numa fila de leitos, cenas de horrores, de sofrimento. O SUS, com todas as reclamações registradas pela população, é a única saída para milhões de brasileiros. Antes o atendimento era apenas para quem possuísse carteira de trabalho, hoje é um patrimônio de todos os brasileiros.

A saúde, junto com a educação que lhe é parte indissociável, é prioridade absoluta, porque a doença atinge a todos, sem exceção, embora só a poucos seja dado o desfrute das melhores tecnologias para combate e prevenção de doenças. No apelo cristão, há fortes referências aos enfermos. O próprio Cristo expressa “estive doente e me visitaste” como reconhecimento futuro dos fieis pelas obras.

A visita a enfermos pode abranger as duas circunstâncias abordadas pela Campanha da Fraternidade. A primeira diz respeito à solidariedade à dor alheia, que sempre reconforta o doente. A segunda é para conhecer de perto como é o sofrimento nos postos e hospitais da rede pública. Quando ouvimos reclamação até de usuários de planos de saúde sobre o atendimento, imagine para quem só dispõe do SUS.

O segundo apelo da Campanha da Fraternidade é o próprio conceito de saúde, que também abrange o espiritual. Esse aspecto foi negligenciado pela ONU quando, em 1946, conceituou saúde: “um estado de completo bem-estar físico, mental e social, e não apenas a ausência de saúde”. A espiritualidade como aspecto da saúde só chegou aos documentos da Organização Mundial da Saúde em 2003.

Em sua mensagem aos brasileiros, Bento XVI fundamenta biblicamente: “No episódio da cura de um paralítico (cf. Mt 9, 2-8), Jesus, antes de fazer com que esse voltasse a andar, perdoa-lhe os pecados, ensinando que a cura perfeita é o perdão dos pecados, e a saúde por excelência é a da alma, pois «que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua alma?» (Mt 16,26). Com efeito, as palavras saúde e salvação têm origem no mesmo termo latino salus e não por outra razão, nos Evangelhos, vemos a ação do Salvador da humanidade associada a diversas curas: «Jesus andava por toda a Galileia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo o tipo de doença e enfermidades do povo» (Mt 4,23)”.

Ao apelar para a solidariedade aos enfermos, a Igreja se volta para seus primórdios, quando a caridade distinguia os cristãos. O sociólogo americano Rodney Stark, professor de sociologia e religião comparada da Universidade de Washington, escreveu o livro “O Crescimento do Cristianismo: um Sociólogo Reconsidera a História”, em que fala dessa característica. A obra foi lançada no Brasil pelas Paulinas.

O sociólogo sustenta que uma das raízes da expansão cristã é a caridade, virtude exposta pelo apóstolo Paulo como a primeira. No início dos séculos de nossa era, o cristianismo se consolidou nas cidades greco-romanas como religião da solidariedade. Segundo Stark, numa resenha do livro, escrita por Reinaldo Azevedo, amor ao próximo, misericórdia e compaixão fizeram com que a taxa de sobrevivência entre os cristãos fosse maior do que entre pagãos.

O tempo da Quaresma, preparatório para a Páscoa, traz essa reflexão para a saúde, que vai de um modo geral, tentando garantir e ampliar os direitos conquistados no SUS, desce para a ação solidária do conforto ao irmão enfermo e chega ao ponto pessoal, sobre nossos hábitos saudáveis. Afinal, Cristo, sacralizou o corpo, como morada do Espírito Santo. Como estamos tratando essa morada? Que podemos fazer para melhorar a saúde pública, amenizar o sofrimento dos enfermos e cuidar com mais zelo de nossa própria saúde?

Em relação ao lema da Campanha “Que a saúde se difunda”, cremos que, nos últimos anos, o Ceará tem presenciado algumas realizações, que merecem consideração. A saúde, assim como a educação e a segurança pública, tem apresentado resultados.

Esta gestão já reformou o Hospital Geral de Fortaleza, inaugurou o Hospital Regional do Cariri, em Juazeiro, instalou diversas clínicas médicas especializadas, além dos Centros de Especialidades Odontológicas- CEO. Já são 12 CEOs – 9 no interior e 3 em Fortaleza. Além disso, já se encontra em fase avançada de construção o Hospital Regional da Zona Norte, em Sobral, e tem a previsão para outro no Sertão Central, em Quixeramobim, e mais um grande hospital aqui na região metropolitana de Fortaleza.

Com isso, também está contribuindo para desafogar as atividades do Instituto José Frota, um grande hospital de referência em emergências, mas que vê sua capacidade se esgotar com as demandas de todo o Estado.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mensagem do Papa para a Campanha da Fraternidade 2012


Boletim da Santa Sé



Mensagem do Papa Bento XVI em ocasião da abertura da 
Campanha da Fraternidade 2012


Ao Venerado Irmão
CARDEAL RAYMUNDO DAMASCENO ASSIS
Arcebispo de Aparecida (SP) e Presidente da CNBB

Fraternas saudações em Cristo Senhor!

De bom grado me associo à Conferência Nacional dos Bispos do Brasil que lança uma nova Campanha da Fraternidade, sob o lema "que a saúde se difunda sobre a terra" (cf. Eclo 38,8), com o objetivo de suscitar, a partir de uma reflexão sobre a realidade da saúde no Brasil, um maior espírito fraterno e comunitário na atenção dos enfermos e levar a sociedade a garantir a mais pessoas o direito de ter acesso aos meios necessários para uma vida saudável.

Para os cristãos, de modo particular, o lema bíblico é uma lembrança de que a saúde vai muito além de um simples bem estar corporal. No episódio da cura de um paralítico (cf. Mt 9, 2-8), Jesus, antes de fazer com que esse voltasse a andar, perdoa-lhe os pecados, ensinando que a cura perfeita é o perdão dos pecados, e a saúde por excelência é a da alma, pois «que adianta ao homem ganhar o mundo inteiro, mas perder a sua alma?» (Mt 16,26). Com efeito, as palavras saúde e salvação têm origem no mesmo termo latino salus e não por outra razão, nos Evangelhos, vemos a ação do Salvador da humanidade associada a diversas curas: «Jesus andava por toda a Galiléia, ensinando em suas sinagogas, pregando o Evangelho do Reino e curando todo o tipo de doença e enfermidades do povo» (Mt 4,23).

Com o seu exemplo diante dos olhos, segundo o verdadeiro espírito quaresmal, possa esta Campanha inspirar no coração dos fiéis e das pessoas de boa vontade uma solidariedade cada vez mais profunda para com os enfermos, tantas vezes sofrendo mais pela solidão e abandono do que pela doença, lembrando que o próprio Jesus quis Se identificar com eles: «pois Eu estava doente e cuidastes de Mim» (Mt 25,36). Ajudando-lhes ao mesmo tempo a descobrir que se, por um lado, a doença é prova dolorosa, por outro, pode ser, na união com Cristo crucificado e ressuscitado, uma participação no mistério do sofrimento d’Ele para a salvação do mundo. Pois, «oferecendo o nosso sofrimento a Deus por meio de Cristo, nós podemos colaborar na vitória do bem sobre o mal, porque Deus torna fecunda a nossa oferta, o nosso ato de amor» (Bento XVI, Discurso aos enfermos de Turim, 2/V/2010).

Associando-me, pois, a esta iniciativa da CNBB e fazendo minhas as alegrias e as esperanças, as tristezas e as angústias de cada um, saúdo fraternalmente quantos tomam parte, física ou espiritualmente, na Campanha «Fraternidade e Saúde Pública», invocando – pela intercessão de Nossa Senhora Aparecida – para todos, mas de modo especial para os doentes, o conforto e a fortaleza de Deus no cumprimento do dever de estado, individual, familiar e social, fonte de saúde e progresso do Brasil, tornando-se fértil na santidade, próspero na economia, justo na participação das riquezas, alegre no serviço público, equânime no poder e fraterno no desenvolvimento. E, para confirmar-lhes nestes bons propósitos, envio uma propiciadora Bênção Apostólica.

Vaticano, 11 de fevereiro de 2012

terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

103 anos de Dom Helder

Pe. Geovane Saraiva*

A vida de Dom Helder é como uma mina de ouro que precisa ser sempre e cada vez mais explorada, com um dom maravilhoso de Deus. Vida de uma beleza, que podemos dizer, diferenciada, nos seus gestos raríssimos em favor da vida dos empobrecidos, dos “sem voz e sem vez”. Ao assumir a Arquidiocese de Olinda e Recife em abril de 1964, disse: “Quem estiver sofrendo, no corpo ou na alma; quem, pobre ou rico, estiver desesperado, terá lugar no coração do bispo”.

Dom Helder, pequeno na estatura, mas grande nos sonhos, nos ideais e na santidade, colocou sua vida nas mãos do Pai, com a firme convicção e com confiança inabalável de que a pessoa humana é o que existe mais sagrado na face da Terra porque é imagem e semelhança de Deus, tomando para si as alegrias e esperanças, as tristezas e angústias dos homens de hoje, sobretudo, dos que mais sofrem.

O sonho carregado ao longo da vida e acalentado no seu coração foi o de colocar a criatura humana em um lugar de destaque, também num lugar bem elevado. Marcou profundamente uma época e nos deixou um grande legado e uma grande lição. A lição de que o deserto da nossa vida tem que ser fertilizado pela Palavra de Deus e que a vida está acima de tudo, que ela é mais forte do que tudo, mais forte do que a morte.

Dom Helder, com sua inteligência privilegiada, sempre demonstrou firmeza nas atitudes e coerência nas ideias, que podemos perceber através dos seus pensamentos: “Quando houver contraste entre a tua alegria e um céu cinzento, ou entre a tua tristeza e um céu em festa, bendiz o desencontro, que é um aviso divino de que o mundo não começa nem acaba em ti”. “Quem me dera ser leal, discreto e silencioso como a minha sombra”.

A vida de Dom Helder, com aquele corpo franzino, que se agigantava na pregação da fé e da justiça e daquela voz inconfundível e extraordinária, que se transmutava em possantes amplificadores na defesa da vida fraterna e da paz, ficou como exemplo de dignidade e marcou em profundidade a história da humanidade. Ele queria ser lembrado com esta frase: “a imagem que gostaria que ficasse de mim é a imagem de um irmão”.

É maravilhoso saber que Deus se revelou e se manifestou, em toda sua plenitude em Dom Helder Câmara, que viveu não só para si, mas para a humanidade.

Uma missa de ação de graças pelos 103 anos de nascimento de Dom Helder Câmara foi celebrada no dia 7 de fevereiro passado, na Paróquia de Santo Afonso (Igreja Redonda), data em que o religioso nasceu em 1909.

Pe. Geovane é pároco da Igreja de Santo Afonso (artigo publicado no O Povo de 12/02/2012)

quarta-feira, 8 de fevereiro de 2012

"Respeito pela esfera privada esconde desinteresse e egoísmo", diz Bento XVI

Por Aura Miguel

«Prestemos atenção uns aos outros, 
para nos estimularmos ao amor e às boas obras»

(Heb 10, 24)

O Papa debruça-se sobre os efeitos do pecado nos homens, incluindo o endurecimento do coração e perigo dos cristãos se adequarem à mentalidade comum na sociedade.

Segundo Bento XVI é urgente as pessoas prestarem atenção umas às outras, porque vivem mergulhadas na indiferença e desinteresse que nascem do egoísmo, sob a aparência de respeito pela esfera privada.

Como a cultura contemporânea perdeu o sentido do bem e do mal, a atenção ao outro deve incluir o bem físico, moral e espiritual.

A Mensagem do Papa alerta para os perigos de um coração endurecido por uma espécie de anestesia espiritual que cega os cristãos aos sofrimentos alheios.

O que impede um olhar de humanidade é por vezes a riqueza material e a saciedade e é também sobrepor os interesses próprios a tudo o resto, ao ponto de se ficar tão absorvido pelos problemas que se fica surdo ao grito dos outros.

O Papa também pede para corrigir os que erram, porque ninguém deve ficar calado perante o mal.

Como a presente geração é individualista e condescendente com o mal e porque há cristãos que preferem adequar-se à mentalidade comum, em vez de alertar as contradições à verdade, Bento XVI considera urgente recuperar a correcção fraterna, com amor e misericórdia.

Leia a íntegra da mensagem do Papa para a quaresma


Fonte:  Sapo

terça-feira, 7 de fevereiro de 2012

A atualidade da Gaudium et Spes

Colaboração de Giovanni Colares
 Trecho da introdução da quarta Constituição Pastoral do Concílio Vaticano II "Sobre a Igreja no Mundo Atual". A abordagem é do item 10:  Jesus Cristo, resposta e solução da problemática humana.



“Na verdade, os desequilíbrios de que sofre o mundo atual estão ligados com aquele desequilíbrio fundamental que se radica no coração do homem. Porque no íntimo do próprio homem muitos elementos se combatem. Enquanto, por uma parte, ele se experimenta, como criatura que é, multiplamente limitado, por outra sente-se ilimitado nos seus desejos, e chamado a uma vida superior. Atraído por muitas solicitações, vê-se obrigado a escolher entre elas e a renunciar a algumas. Mais ainda, fraco e pecador, faz muitas vezes aquilo que não quer e não realiza o que desejaria fazer (4). Sofre assim em si mesmo a divisão, da qual tantas e tão grandes discórdias se originam para a sociedade. Muitos, sem dúvida, que levam uma vida impregnada de materialismo prático, não podem ter uma clara percepção desta situação dramática; ou, oprimidos pela miséria, não lhe podem prestar atenção. Outros pensam encontrar a paz nas diversas interpretações da realidade que lhes são propostas. Alguns só do esforço humano esperam a verdadeira e plena libertação do gênero humano, e estão convencidos que o futuro império do homem sobre a terra satisfará todas as aspirações do seu coração. E não faltam os que, desesperando de poder encontrar um sentido para a vida, louvam a coragem daqueles que, julgando a existência humana vazia de qualquer significado, se esforçam por lhe conferir, por si mesmos, todo o seu valor. Todavia, perante a evolução atual do mundo, cada dia são mais numerosos os que põem ou sentem com nova acuidade as questões fundamentais: Que é o homem? Qual o sentido da dor, do mal, e da morte, que, apesar do enorme progresso alcançado, continuam a existir? Para que servem essas vitórias, ganhas a tão grande preço? Que pode o homem dar à sociedade, e que coisas pode dela receber? Que há para além desta vida terrena?

       A Igreja, por sua parte, acredita que Jesus Cristo, morto e ressuscitado por todos (5), oferece aos homens pelo seu Espírito a luz e a força para poderem corresponder à sua altíssima vocação; nem foi dado aos homens sob o céu outro nome, no qual devam ser salvos (6). Acredita também que a chave, o centro e o fim de toda a história humana se encontram no seu Senhor e mestre. E afirma, além disso, que, subjacentes a todas as transformações, há muitas coisas que não mudam, cujo último fundamento é Cristo, o mesmo ontem, hoje, e para sempre (7). Quer, portanto, o Concílio, à luz de Cristo, imagem de Deus invisível e primogênito de toda a criação (8), dirigir-se a todos, para iluminar o mistério do homem e cooperar na solução das principais questões do nosso tempo.”

Notas
4. Cfr. Rom. 7,14 s.
5. Cfr. 2 Cor. 5,15.
6. Cfr. Act. 4,12.
7. Cfr. Hebr. 13,8.
8. Cfr. Col. 1,15.

quinta-feira, 2 de fevereiro de 2012

O vento sopra onde quer...


Giovanni Colares
 
   Quando o fariseu Nicodemos encontrou-se com Jesus (cf. Jo 3, 1-15), sob a protetora escuridão da noite, ouviu algo estranho sobre ter que nascer de novo e sentiu-se incomodado (“como pode isso acontecer”?) querendo esclarecimento, ou mesmo interferindo no ensinamento ali recebido, tendo – provavelmente – não prestado a devida atenção à frase de forte efeito didático para o fortalecimento da fé ali oferecida: “O vento sopra onde quer e ouves a sua voz, mas não sabes de onde vem, nem para onde vai” (Jo 3, 8a).
 
   Conta-se que, no final da década de 1950, o Papa João XXIII em gesto dramático – e propositalmente didático – mandou abrir uma janela e, sob a sensação agradável de uma brisa que tomou o ambiente, mostrou o que a Igreja Católica precisava naquele momento, arejar-se com urgência... E sob um conceito resumido em uma palavra: aggiornamento, que cunhou-se como ícone da necessidade de então, devia-se buscar uma atualização da Igreja para um encontro mais profícuo com o comportamento humano do pós-guerra que se fazia com fortes, profundas e irreversíveis mudanças.
 
   Para tão enorme esforço, diferente de tantos outros concílios, o Concílio Vaticano II precisava trabalhar não para dirimir dúvidas e contendas (como outrora acontecera em relação às heresias surgidas e que ameaçavam esgarçar o tecido teológico da Igreja), mas para uma renovação desafiante que não rompesse as bases (portanto não poderiam ocorrer inovações). Foi neste desafio que o Papa encontrou no corpo episcopal a possibilidade de fazê-lo com maestria, e – é óbvio – precisaria do Paráclito (prometido e enviado pelo próprio Jesus) para que o Vento Maior (o Espírito Santo) trouxesse - por meio daqueles - a brisa tão necessária.
 
   A cada promulgação (de todos os dezesseis documentos) era pronunciada a seguinte fórmula de invocação: “E Nós, pelo Poder Apostólico por Cristo a nós confiado, juntamente com os Veneráveis Padres, no Espírito Santo, os aprovamos, decretamos e estatuímos”.
 
   Os excessivos estudos e propostas abundantes, que geraram grandes discussões, fizeram daquele momento uma Igreja fervilhante, por meio de seus Bispos, em profunda ação intelectual e exercício de escolhas (obviamente sempre pautadas pelos basilares: Bíblia, Tradição e Magistério) o que ajudou a pensar na Unidade (inclusive pela característica ecumênica daquele Concílio) como rogou o Cristo na sua Oração Sacerdotal (“Que
todos sejam um”. Jo 17a).
 
   Precisamos que esta Brisa Sagrada continue a soprar, sendo agora – também -  a vez de todos nós, os Leigos que devem cumprir o dever iminente (e que foi acentuado por tantas mudanças implementadas a partir da década de 1960) de ser parte atuante desta unidade tão necessária: ser agentes essenciais da Mensagem e do Caminho, sempre com Ele: “Ide, pois, fazer discípulos entre todas as nações, e batizai-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo. Ensinai-lhes a observar tudo o que vos tenho ordenado. Eis que estou convosco todos os dias, até o fim dos tempos” (Mt 28, 19-20).